Êxodo, uma pequena tragédia subtropical
poemas que atravessam o trabalho, o amor e a América Latina contemporânea

O êxodo nunca termina, ele apenas muda de forma.
Aqui, o retirante não carrega mais foice nem machado, mas o celular no bolso, o cansaço nos ombros e uma esperança difusa que insiste em não morrer. Cidades de concreto e sonhos de areia, algoritmos e lembranças de fruta mordida, este livro caminha — ora descalço, ora exausto — pelas contradições de existir.
Em Êxodo, uma pequena tragédia subtropical, Solarizo escreve como quem atravessa o trabalho, o amor, o corpo, a memória e a própria América Latina. Há fúria, mas há também ternura, desejo, praia, suor, riso, e um certo romantismo em ruína que ainda se recusa a cair por completo.
São poemas que oferecem, no máximo, um gole d’água no meio do caminho. E isso já é muito.
Porque, no fim, seguimos: migrantes de nós mesmos, tentando encontrar algum lugar onde seja possível ser.

O autor

Um poema do livro
Refugiados na Própria Terra
As paredes estão em ruínas
os afrescos em destroços
já não se vê as roseiras brancas
nem o ar é perfumado com o aroma dos lírios
Onde antes eram verdes campos
estão agora cultivando veneno
nos belos riachos há pedaços de cadáveres
é triste menina, eu sei
O futuro não será como sonhávamos
o felizes para sempre não existe
foi inventado para ilustrar rótulos de enlatados
e a tempo compreendeste que os teus vestidos
nunca foram e nem serão de pura seda
Podes chorar, se quiser
mas ouça o que te digo
mesmo com tantos perigos
a vida segue, seja como for,
com ou sem amor
vida nova sempre há brotar
A lua cheia sempre há de brilhar
o céu escuro clarear
então atenda o meu pedido
e saia pra dançar
pois o mundo já está acabando
e esta noite eu só quero te ver sorrir.









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