Estudo sobre o bicho
Desejo também é bicho. E morde.

Tem coisa que começa no corpo antes de virar pensamento. Um arrepio, uma obsessão, um cheiro que fica preso na memória. Em Estudo sobre o bicho, Adriele Oliveira escreve desse lugar onde o desejo pinica e arde. Seus textos carregam fome. Uma vontade feroz de sentir até o fundo, mesmo quando isso desmonta tudo.
As imagens do livro se espalham como água: rios, suor, saliva, fumaça, pelos, pele quente. O amor aparece menos como promessa e mais como impulso e descontrole. As personagens desejam com o corpo inteiro. Pensam com a buceta, com a língua, com as cicatrizes. E enquanto desejam, também observam o mundo, os jogos de poder, as violências, os silêncios e as formas possíveis de continuar vivas sem endurecer completamente.
Estudo sobre o bicho é um livro sobre se embichar. Sobre abandonar certas domesticações e escutar o instinto falando baixo dentro do peito. Um livro que fareja os limites entre prazer e perigo, entrega e proteção, humanidade e animalidade.

A autora

Um poema do livro
Estudo sobre o Bicho (01)
Tentar te traduzir em uma milhar.
Te decifrar em um bicho.
Destrinchar tuas conversas em palpites.
Desejar a contravenção como se deseja a carne e o suor.
Apostar, na pretensão de ser reconhecida pelo azar.
Apostar, como quem se oferece para conhecer tua cama.
Apostar, com a mesma matemática suja que emprego para imaginar e construir possibilidades.
Com a mesma emoção de quem se apaixona à segunda vista.
Apostar, também para perder.
E amar o jogo.









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