Cordéis do Diabo a Quatro
tradição e transgressão, tradução e subversão

Em Cordéis do diabo a quatro, Eduardo de Menezes Macedo toma narrativas antigas — da tradição medieval, da literatura europeia e do imaginário religioso — e as vira pelo avesso, como quem sacode o pó da estante e devolve à palavra o seu perigo. A obra reúne quatro poemas cordelísticos em que o Diabo ocupa o centro da cena, todos construídos a partir de textos escritos originalmente em outros gêneros literários.
Mas aqui não se trata de simples adaptação. Os cordéis operam como gesto de transgressão: subvertem os enredos de origem, deslocam seus sentidos e fazem da figura diabólica não apenas um personagem, mas um agente de contestação.

Os poemas caminham entre a tradição do cordel e o impulso crítico. Um jogo de porrinha desigual com as almas dos condenados. Um rabequeiro negocia com o além. Um santo talvez tenha escolhido errado. E, no meio disso tudo, o leitor é convidado a rir e desconfiar.
Com prefácio da professora pós-doutora Claudia Calado, do departamento de Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, o livro se insere numa linhagem que leva a cultura popular a sério — não como folclore domesticado, mas como linguagem viva, capaz de confrontar estruturas, , como mostra o ensaio filosófico-literário que constitui o primeiro capítulo.
O autor









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