Depois da visão turva

Depois da Visão Turva

Braian Ávila

Uma colisão brutal com a realidade.

Braian Ávila nos arrasta direto para o lado mais violento da dependência química com uma honestidade tão crua que, por vezes, parece insuportável continuar.

Como acontece com os livros verdadeiramente transformadores, este possui uma força magnética que mantém o leitor preso, guiado por uma única pergunta que ecoa a cada página:

“Como esse cara conseguiu se libertar disso?”

Há algo na escrita de Braian que transcende o mero testemunho: ele constrói uma espécie de Realismo Junkie, uma literatura que não apenas evita romantizar o caos, mas o encara sem filtros, expondo cada rachadura e cada cicatriz com uma franqueza implacável, livre de retoques ou artificiosidade.

Seu foco não está na euforia da droga (ainda que esta seja descrita com precisão inquietante), mas no que vem depois — o vazio corrosivo, o suor frio, os silêncios que gritam. É essa honestidade implacável que prende o leitor e torna impossível largar o livro.

E é justamente nesse desconforto que algo inesperadamente belo começa a emergir: no coração do caos e dos traumas — incluindo um abuso sexual que o autor corajosamente revisita —, desponta uma força latente, sutil, mas teimosamente resistente. É a escrita, sua última barricada contra a autodestruição, o instrumento que lhe permite transformar dor em resiliência e memória em uma narrativa de sobrevivência.

Não é uma leitura para os fracos. Braian expõe suas vísceras com uma coragem que desafia o leitor a olhar além dos estigmas, a enxergar o ser humano em meio ao vício. Se você terminar essa obra sem que algo dentro de você tenha mudado, sugiro que leia de novo.

Porque este livro não é só sobre drogas ou redenção. É sobre sobreviver ao pior de si mesmo e transformar isso em literatura. E Braian conseguiu. Com uma escrita que pulsa, que sangra e que não nos deixa desviar os olhos.

Depois da Visão Turva é uma declaração de amor à literatura.

Texto de apresentação escrito por Leonardo Castelo Branco

O autor

Braian Ávila é um escritor gaúcho que começou sua trajetória em 2009 com crônicas no blog “Monologay”. Em 2020 lançou o livro “Todo Amor Que Nunca Te Dei” e o livro-jogo “Casados pela Quarentena”. Trabalhou como ghostwriter, com livros publicados em Portugal ,e atualmente se debruça em cima de uma nova coletânea de crônicas.

Trechos
“Alguns anos de minha vida se passaram sem que eu tenha memórias claras. Como na música Blur da Britney Spears, tudo foi um borrão seguido de dias e dias quando não lembrava na manhã seguinte o que tinha feito na noite anterior. ”

 

“Ficamos imóveis por instantes longos, sentados, baqueados e incapazes de trocar uma só palavra. Cada um perdido em seu eu entorpecimento. Tentava entender se suava de calor ou se transpirava pelo efeito do crack, que aumenta a temperatura do corpo. Naquele momento percebi que fugir da realidade mergulhando no uso de sintéticos me era tanto uma bênção, por não pensar em nenhum fardo da vida, e uma maldição, por um misto de sensações pesadas ao qual ainda era virgem até então.”

 

“Acordei com uma velha filosofia de vida em mente: dormir é perda de tempo. Estranho pensar assim em um lugar onde tenho todo o tempo do mundo para fazer NADA.

Olho para as mesmas paredes, mas já não é o mesmo olhar. Sinto que estou mais atento, mais consciente, um pouco menos perdido.”

 

“Um baseado não é um barato, definitivamente. É medicina. Não apenas porque foi sugerido por uma psiquiatra, mas porque os efeitos são preciosos para um ex-dependente químico, ansioso e depressivo diagnosticado.”

Peso 0,2 kg
Idioma

Português

Formato

Físico, Digital

Páginas

120 no físico

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