Interregno: Rebeliões Poéticas Contra o Fim da História
Beradêro
Atenção: os livros estão em produção e serão enviados a partir de agosto! É de extrema importância o seu apoio durante a pré-venda, para viabilizar a obra e o trabalho deste artista. Garanta seu exemplar com preço especial até o dia 8 de agosto!
Entre a poesia e a rebelião, um interregno.
Beradêro não nos entrega apenas um livro de poemas – é um grito, um manifesto, um testemunho.
Entre os versos, pulsa a vida de um poeta que atravessa as contradições da periferia, o deslocamento indígena em meio urbano, as batalhas do movimento estudantil e o estranhamento diante de um mundo moldado por algoritmos e consumo.
Aqui, cada poema é um ato de resistência. As palavras cortam, dançam, denunciam e celebram. A poesia se faz arma e refúgio, registrando o desconforto de existir e a necessidade de transformar.
Se há um interregno – esse espaço entre o velho que morre e o novo que ainda não nasceu –, este livro é seu mapa e seu lampejo.
O autor
Beradêro nasceu em Mogi das Cruzes, é comunicador, cantor e poeta. Atualmente vive no Rio de Janeiro, onde se formou em Comunicação Social pela UFRJ.
Indígena da etnia Puri, em retomada, sua obra une identidade, ancestralidade e arte, traduzindo experiências e reflexões em música e poesia.
Arte de capa
Kath Xapi Puri, designer e ilustradora para impacto social, com valorização de narrativas originárias de Abya Yala, assina a ilustração de capa.
Alguns poemas
Grito
Às vezes meu peito
se enche de sentimento,
e eu não me aguento.
Preciso vomitar em palavras
nada esquemáticas,
sem estrutura textual pensada,
como se fosse a vida,
uma impulsão cristalizada,
um mar em que se nada pela madrugada,
e se deixa guiando pela correnteza
para ter certeza
que, ao fim do dia, vida,
eu me banhei em suas águas.
Visceral
Meu canto cai
Tão visceral,
Como uma folha
Que cruza o céu
E cai na água.
E nesse rio,
Nos seus caminhos,
Seus traçados,
Arrastando suas margens
E levando cada gota pros teus olhos.
Você vai dizer que o meu tom não é mais doce,
Que eu envelheci
E não conheço mais seus gostos.
Você desconhece as minhas camadas,
Os meus graves.
Mas o meu cantar ainda é grande,
Grande demais.
Estratosfera
Sob o firmamento azul,
a imensidão:
bilhões de universos
interagindo com esse chão.
Deus é a completude,
os detalhes,
significância do que, aos olhos nus,
parece insignificante.
Mas em tudo que tem cor,
que se move,
que respira,
tudo tem importância:
o zumbido do beija-flor,
o sorriso da criança,
o mato e sua fragrância,
o bafo da onça.
No imenso azul,
me jogo cru
e caio nu
na estratosfera.
Me sinto infinito
enquanto prospera
o musgo na pedra,
o fungo na caverna,
meus dedos entre suas pernas.
Avaliações
Não há avaliações ainda.